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App usa tecnologia para identificar desaparecidos

A busca por desaparecidos ganhou um novo aliado tecnológico com o recém-lançado aplicativo Family Faces. O sistema usa a inteligência artificial para tentar encontrar pessoas cujo paradeiro é desconhecido para seus familiares.

Funciona assim: o usuário envia uma fotografia ao aplicativo, que a compara com o banco de dados da organização. Caso haja semelhança com algum perfil cadastrado, um alerta é enviado.

O aplicativo foi desenvolvido pelo coletivo Mães da Sé, graças a uma parceria com as empresas de tecnologia Microsoft e Mult-Connect.

“Esse tipo de funcionalidade – inteligência artificial e reconhecimento facial – é muito utilizada pela polícia para localizar foragidos da Justiça, mas nunca foi utilizada na busca por pessoas desaparecidas”, explica Ivanise Esperidião da Silva, fundadora do Mães da Sé.

Sua própria experiência motivou o início do coletivo, no início de 1996, poucos meses após sua filha Fabiana, então com 13 anos, desaparecer. A dor da dúvida foi transformada em um projeto de vida, para que casos como o dela encontrem solução.

“O que me mantém de pé é esse trabalho. Eu luto, não só pela minha filha, mas por quase 11 mil pessoas que já passaram pela minha vida ao longo desses 24 anos de trabalho”, afirma Ivanise, que em quase 25 anos ajudou no reencontro de 5.016 famílias com pessoas desaparecidas.

Ela espera que, com o aplicativo, esse número possa aumentar ainda mais. “Quanto mais pessoas se engajarem, maiores as chances da gente encontrar.” O Family Faces pode ser baixado gratuitamente para Android e iOS.

Em todo o Estado de São Paulo, de janeiro e outubro deste ano, foram registrados 11.472 boletins de ocorrência por desaparecimento de pessoas, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública) – queda de 37% em relação ao mesmo período do ano passado.

‘UMA BUSCA SOLITÁRIA’, DIZEM MÃES

O Family Faces pode ajudar mães como Teresinha Calori, que procura pelo filho desde maio de 2009 em São Paulo. Naquele ano, seu filho Pedro, então com 18 anos, saiu para trabalhar e não voltou mais.

“Até hoje a gente não teve uma resposta. Todo lugar que tinha que ir, a gente foi”, conta. “A vida da gente muda completamente. Não sabemos mais o que é viver. Eu ainda me esforço para sobreviver porque eu tenho uma filha, porque se eu não tivesse, eu não faria nem mais questão de viver.”

O mesmo aconteceu com Américo Silva de Lima. Em setembro de 2013, com 28 anos, ele saiu para almoçar e não voltou para o serviço. Sete anos depois, sua mãe, Margarida, ainda não teve notícias. “A angústia é demais, principalmente para a gente que é mãe. Todos os dias eu espero por ele.”

Ela afirma que, quando procurou a delegacia, não recebeu muita ajuda. “A gente tem que procurar sozinha mesmo.” Já Teresinha relata que foi encaminhada para várias delegacias diferentes antes de conseguir registrar o desaparecimento do filho.

Segundo o advogado Ariel de Castro Alves, especialista em direitos da infância e juventude, muitas vezes os policiais pedem que os familiares esperem 24 ou 48 horas para registrar o boletim de ocorrência, mas não há nenhuma previsão legal para isso.

Além da negligência, as mães também lidam com a falta de políticas públicas. Não há integração entre delegacias, IMLs, hospitais, abrigos e instituições, o que dificulta ainda mais a procura. “Precisamos ter um sistema unificado. Muitas vezes as mães estão há anos procurando seus filhos, que podem ter sido enterrados como indigentes, ou a polícia não investigou adequadamente, ou podem estar em situação de rua. É uma área invisível, completamente abandonada pelo governo”, diz Alves.

CADASTRO NACIONAL SEGUE NA PROMESSA

Há um ano e sete meses, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei nº 13.812, que cria o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas. No entanto, até o momento, a plataforma segue indisponível.

O projeto foi apresentado ao Congresso em 2009 pelo então deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP), sendo finalmente aprovado em março do ano passado. No texto, a Lei define o sistema como um “banco de informações públicas, de livre acesso por meio da internet, com informações acerca das características físicas das pessoas desaparecidas, fotos e outras informações úteis para sua identificação”. Também prevê políticas de articulação entre órgãos públicos para investigação e localização de pessoas desaparecidas.

Ao sancionar a lei, porém, Bolsonaro fez um veto ao artigo 18, que determinava a criação do cadastro em até 90 dias após a promulgação.

Em resposta ao Metro World News, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos disse, em nota, que o processo está “em articulação” e que depende da força de trabalho de diversas instituições. “Devido à complexidade do tema, o cadastro necessita de soluções tecnológicas que estão sendo construídas em conjunto com o Ministério de Justiça e Segurança Pública.”

Ainda de acordo com o governo federal, até o final do ano será lançado o aplicativo de Busca de Pessoas Desaparecidas, que é desenvolvido pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.

Fonte: Metro Jornal

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